17 de dezembro de 2008

O Corpo é a memória da dança - Parte II





Soletrando com corpo: A arte expressiva dos sentimentos e movimentos.

Tenho recebido inúmeros e-mails com dúvidas frequêntes sobre como montar uma coreografia, o que é necessário para que se monte uma sequência coreográfica expressiva e que passe exatamente a mensagem escolhida.
Pois bem, após dias de pesquisa sobre o assunto, e de anos praticando a dança na igreja, creio que cheguei a um denominador comum no assunto.

Quando surge a necessidade de se expressar uma idéia, sentimento ou mensagem através da dança precisamos traduzir tudo isso em movimentos que consigam expressar fielmente o que desejamos passar para as pessoas e para Deus. Quando pensamos em coreografia, quase sempre temos a idéia de uma sequência de passos feitos por um grupo de pessoas. Isso está correto, mas a idéia coreográfica vai além, sendo processada até mesmo quando temos uma pessoa só dançando, ela inclui vários elementos.Ou seja, todo o tempo precisamos cadenciar movimentos para contar uma história. A coreografia é a arte da composição estética dos movimentos corporais expressivos, apresentando uma idéia, sentimento ou mensagem às pessoas, podendo ser cênicos ou espetaculares. A arte de coreografar se desenvolveu, paralelamente com a arte teatral.

Os étimos gregos khorus (círculo) e graphe (escrita, representação), fundamentam a palavra coreografia. O elemento círculo é uma referência as danças circulares e a orquestra, local onde o coro teatral grego dançava. Coreografar é desenhar/gravar o espaço com o movimento corporal.

Toda linguagem artística possui elementos estéticos específicos, assim como nas linguagens das Artes Visuais, do Teatro e da Música, a linguagem da Dança também possui seus códigos fundamentais.

A montagem em si de uma coreografia exige domínio dos elementos estéticos já codificados, como o espaço, o tempo, o peso e a fluência, em relação ao corpo em movimento. Numa coreografia esses elementos básicos dialogam entre si. Citaremos alguns.

O uso do espaço é extremamente importante e quase esquecido nas igrejas. Antes de qualquer coisa, precisamos saber qual o espaço iremos dispor, afim de que, montemos uma coreografia que use esse espaço e que faça desenhos e fotografias que ajudarão no desenvolver da idéia. Por exemplo, podemos criar uma sequência de movimentos e esses serem usados de várias posições e formas no espaço disponível, que pode ser uma plataforma, a frente da igreja, etc. Podemos usar uma sequência onde todos estão alinhados de frente para as pessoas, a mesma sequência em diagonal, ou ainda divimos as pessoas em dois pequenos grupos e estes se posicionam em círculo e executam a sequência ao mesmo tempo. Isso trás dinâmica para a dança e expande a idéia explorando o espaço disponível. Isso também ajuda a termos a atenção de quem está olhando e impede a monotomia.

O tempo precisa ser avaliado com muito cuidado, tenho observado que muitos grupos tem feito coreografias onde existe um espaço de tempo entre um passo e outro. Isso não pode acontecer, a não ser que seja um movimento sequencial ou, enquanto uma pessoa pára tenhamos outra que entra nesse tempo executando outro movimento.
Os movimentos precisam respeitar o tempo da música usada. Não podem haver lacunas. Explicando... não podemos fazer um movimento parar e esperar um tempinho para fazermos um outro. Isso acontece, porque muitos montam a coreofrafia emcima somente do que está sendo falado, e não respeitam o rítmo da melodia da música. Então, ao esperar uma palavra, há uma quebra na sequência havendo uma parada que deixa toda a coreografica muito estática e sem dinamismo.
SEMPRE DEVEMOS RESPEITAR O RÍTMO DA MÚSICA ESCOLHIDA.
Não podem haver lacunas. Por isso, devemos saber usar o espaço disponível com inteligência, afim de que não haja essas lacunas.
Outro fator importante é o tempo total da música que foi escolhida. Ao parar para montar uma coreografia, eu gosto de ouvir a música várias e várias vezes, contando quantas vezes o refrão é cantado, quantas vezes ela volta pro início, se há uma parte só com os instrumentos e quanto tempo dura, gosto de entender a música ouvindo vez por vez observando em cada uma das vezes coisas diferentes. Batidas e marcações da bateria que podem ser usadas para um determinado movimento, oscilação de rítmo e até como ela termina. Tudo isso nos ajudará para uma boa execução da nossa idéia coreográfica.

Podemos ainda contar com os recursos específicos das outras linguagens artísticas, adicionando maior dramaticidade, alegria, surpresa, espanto, enfim, diferentes emoções quando utilizando adequadamente os elementos da música, das artes visuais, que muito tem contribuído para os cenários, figurinos e adereços, e ainda, elementos do teatro que vem cada vez mais enriquecendo a dança com as suas performances.

Entre esses recursos, podemos apontar elementos que vem se destacando no cenário da dança na igreja. Véus, bandeiras, estandartes, fitas, pandeiros, bola, círculo (bambolê), e outros. Todos esses elementos podem nos ajudar a compor uma coreografia. Mas devemos tomar cuidado com exageros. Muitos elementos juntos produzem uma poluição visual e podemos perder o foco da idéia sugerida.

A mistura do teatro com a dança tem dado certo e revelado uma nova faceta da montagem coreogrática, nos deixando bastante à vontade para criarmos. A expressão facial é essencial para expressarmos os sentimentos. Não apenas cantar a música, mas deixar que o nosso rosto e corpo falem sem palavras o que sentimos.

É necessário e muito proveitoso que todos juntos participem desse processo. Em anos de dança, percebemos no nosso ministério que as coisas fluiam melhor quando todos participavam e aconteciam várias coisas maravilhosas que não acreditávamos que tinhamos sido nós que montamos.
Tirávamos um tempo onde todos davam suas opiniões e idéias sobre a música em questão, um Brainstorming (tempestade de idéias).

A seguir tentei colocar em tópicos orientação básicas para montagem coreogrática.

I - Defina qual música você vai coreografar - a escolha da música é tão importante quanto os movimentos que serão usados. Tire um tempo com o ministério, ouça várias músicas, orem e peçam que o Pai aponte qual delas ele quer ver e peça para que Ele dê os movimentos que Ele quer ver.

1. Se você não tem muita experiência em coreografia, opte por músicas simples. Deixe as mais elaboradas para um segundo momento. É sempre mais interessante começar pelo mais fácil, para evitar frustrações. Defino como simples as músicas com o padrão: estrofe 1, refrão, estrofe 2, refrão, estrofe 3, refrão. A maioria costuma ser assim.
2. Do mesmo modo, escolha uma música curta. As muito longas dão mais trabalho, exigem mais imaginação para evitar repetições. Chamo de curta a música com duração inferior a seis minutos.
3. Coreografe uma música de que você goste muito. A vontade de dançar ajuda bastante no trabalho criativo.
4. Ouça muitas vezes a música. Procure ouvir com fone de ouvido, para captar sutilezas. Ouça concentrado, prestando atenção. É muito diferente de quando ouvimos uma música enquanto dirigimos, por exemplo. Reúnam-se para ouvirem juntos, é muito bom tirar um tempo onde cada um irá captar algo diferente da música.

II - Comece a definir a coreografia

5. Procure ouvir a música novamente, imaginando pessoas dançando. Acho interessante visualizarmos a idéia. Deixe-se imaginar algo realmente maravilhoso, ainda que você duvide que consiga executar os movimentos. Se fizer bastante esse exercício verá que a prática melhora bastante. Para mim, pelo menos, funciona.

6. Dê uma dançadinha, cheque se o imaginado se adapta de fato à música, ou seja, se é viável fazer o que se imaginou. Provavelmente vai precisar fazer alguns acertos pequenos, principalmente no tocante à finalização e emenda dos passos. Se você quer muito, muito, muito colocar um passinho que ainda não está saindo legal, aproveite para estudá-lo. Se ele está bem guardado na memória, certamente não custará a passar para o corpo.

7. Dançem juntos a mesma música, cada um por si como se fosse um espontâeno, deixem um ou dois olhando e depois se juntem para ver o que dá para ser utilizado, e os que olhavam indiquem os movimentos mais condizentes com a música.

III - Defina os movimentos a serem utilizados

8. Observe os pontos altos, explosões e momentos menos excitantes da música. Toda música tem as partes bem marcadas, fáceis, e uma parte que convida à "embromation". Fique tranqüila e identifique os momentos fáceis e os momentos que vão exigir mais de você. Lembre-se: a coreografica também precisa ter início, meio e fim como numa redação.

9. Identifique os momentos da música. Na música moderna, é tudo mais simples: entrada, primeira estrofe, segunda estrofe, refrão, segunda estrofe, variação simples da primeira, refrão, fim. Movimentos frios e de baixo impacto para momentos mais calmos da música e movimentos quentes e fortes para os momentos mais vibrantes.

10. Lembre-se que as entradas e as saídas são muito importantes. São a primeira e a última impressão de sua dança. Você pode optar por já estar no local quando a música iniciar, ( particularmente não gosto muito) ou entrar com passos de ligação indo para tomarem lugar no primeiro desenho. Para a saída, também pode acontecer de sair e deixar o local vazio, ou terminar com uma pose, que na dança chamamos de fotografia final.

11. Evite repetições em um mesmo trecho da música. Dezesseis vezes rodar e levantar a mão direita fica entediante. Lembre das variações sobre o mesmo passo, use o espaço disponivel. Não há problema algum, no entanto, em repetir passos dentro da coreografia. Devem, no entanto, ter ênfases diferentes, porque a música está variando o tempo todo, pedindo para que você dê ao movimento a energia dada às frases musicais.

12. Enriqueça a coreografia explorando bem o espaço. Pontue frente, fundo, direita, esquerda, diagonais. Alternar movimentos altos e baixos também é importante para quebrar a monotonia. Se você já esteve há um tempo "no alto", opte por fechar com um movimento "baixo".

13. Alterne seqüências calmas com seqüências dinâmicas. Ou seja, não fique apenas parada, nem só deslocando. É também importante discernir os momentos em que é melhor ficar parada e os momentos em que a música pede um deslocamento.

14. Defina se usarão algum elemento, fita, véus... os movimentos precisarão incluir os elementos sem prejudicar o grupo no espaço usado. Se houverem 10 pessoas dançando, e o espaço for pequeno, esqueça.


IV - Anote a coreografia

15. Crie um código para os movimentos usados na dança. Isso vai ajudar na anotação da coreografia. Mesmo que saibam os nomes de todos os passos do ballé, isso ajudará ao grupo a guardar a sequência. O resultado disso é que muita gente dá nomes aleatórios para os passos. Exemplo: o "pisa e joga a saia", o "soca e gira", o "contra tempo voltando", ... Ou seja, não se preocupe com nomes. Se preferir, reúnan-se e procurem combinar um padrão entre vocês. Deixe a imaginação fluir.

16. Experimente dançar com a folha impressa em mãos, anotando possíveis ajustes.

Prontinho! À medida que for pegando prática, vai sentir que é fácil criar coreografia. É gostoso ir ouvindo a música e imaginando que movimento você colocaria aqui e ali. Sem falar que ao dançar uma coreografia própria é bem mais fácil colocar a expressão apropriada e que você pode executar sem limitações.

Ufa... sei que são muitas informações, mas espero ter ajudado um pouco.

Dançemos e profetizemos até que o Reino venha!

2 comentários:

Alexandre ( Profeta da Dança) disse...

Oi abençoada
eu me Chamo Alexandre, ms sou mais conhecido como Xandy o profeta da dança.
Sou lider do M-CEL, ao qual vc nos fez uma visita.
Somos da Igreja O Brasil para Cristo em Xerem - RJ. Para maiores contatos xandyart@hotmail.com ou atraves de nossos orkuts - Cia M-CEL Minist. de Dança * 2º Perfil ou ALEXANDRE - 2009 O Ano do Exagero de Deus!!!! ou ALEXANDRE ** PROFETA DA DANÇA ou Cia M-CEL A DANÇA RESTAURA VIDAS ou este do nosso congresso- 6º CONGRESSO DE 11 A 13 DE SETEMBRO -2009
um grande abraço e se precisar é só chamar.
Paz

Mariana disse...

Olá, meu nome é Mariana e eu só gostaria de deixar aqui registrado que a autora do texto acima plagiou vários trechos de um texto da dançarina de dança do ventre Roberta Salgueiro com pequenas modificações; segue um dos trechos plagiados:

"À medida que for pegando prática, vai sentir que é divertidíssimo criar coreografia. É gostoso ir ouvindo a música e imaginando que movimento você colocaria aqui e ali. Sem falar que ao dançar uma coreografia própria é bem mais fácil colocar a expressão apropriada. "

Plágio é crime. Se ela quiser usar as palavras de outra pessoa ela tem que citar a fonte. A atitude que a autora deste blog tomou é anti-ética, o que é ainda mais surpreendente já que ela prega uma religiosidade respaldada na boa moral.

Postar um comentário

Obrigada pela visita... volte sempre!